sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Os pássaros quando voam
Não deixam sequer rastro ao vento
Porque não voam com as asas
Apenas com o sentimento...
Os pássaros em revoada
Não buscam tão simplesmente
O ninho de algum lugar
Porque já estão pousados
No próprio ninho do ar.
Salgado Maranhão

Bem apropriado ao momento!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011




Li uma entrevista com Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, Pioneiro da Medicina Bioenergética, em que falava sobre um assunto que eu já vinha estudando, as duas ultimas respostas foram as que me chamaram mais a atenção:


(...)


Na sua opinião, estamos tão confusos assim?

Temos três ilusões enormes que nos confundem:

Primeiro: Cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.

Segundo: Cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência. Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.

Terceiro: Ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo. E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?

O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco.

Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor.


Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?

Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, Não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre. Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busque migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformação.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Quando me amei de verdade


A medida que eu lia um email com o titulo "Quando me amei de verdade", de Charles Chaplin, revi tudo o que eu vivi nesses últimos 3 anos. E fiquei com vontade de escrever.

Eu sempre fui uma garota frustrada, porque era (sou) gorda, porque não era a melhor aluna, porque não fazia amizades facilmente, porque quase nunca conseguia fazer o que realmente queria...Minha auto-estima era péssima. Depois de um tempo, algumas pessoas e muitas reflexões, fui melhorando e compreendendo certas coisas.
Compreendi que...

" Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima."

Durante esses últimos 3 anos vivi muita coisa, deixei de viver outras muitas, chorei muito e sorri bastante. E percebi que muitas das lágrimas eu poderia ter evitado tão facilmente. Durante esse tempo não fui a total dona da minha vida e deixei muitas pessoas me magoarem e de graça.
Mas então...

" Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade."

Mas estão percebi que tudo isso me fez crescer e que muitas pessoas me ajudaram, direta e/ou indiretamente, me mostrando mundos novos e vivendo comigo novas situações. Certos crescimentos foram difíceis, doeram muito, outros foram bem agradáveis.

" Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento."

Então continuei sonhando, mas hoje em dia vivo mais e sonho um pouco menos. Faço planos mais próximos e corro atrás. Tô aprendendo e a cada dia que passa quero ver mais do mundo.
Sempre gostei de minhas virtudes e me orgulhei de certos valores e por mais que o mundo me mostre que é contra, eu sou mais forte. Mas como qualquer ser humano, erro. Achei que podia ajudar um passarinho que amo muito, mas acabei querendo forçar uma mudança que para mim era a melhor coisa a ser feita, mas depois eu percebi que fui egoísta querendo impor uma vontade minha. Peço desculpas, de coração.

" Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito."

De uns tempos pra cá percebi que algumas pessoas ao invés de acrescentarem só subtraiam e que muitos dos sorrisos e elogios eram falsos, percebi que certos lugares não condiziam com a minha pessoa e que eu não precisava ver, ouvir, passar e estar perto de certas coisas e pessoas.
Então...

" Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse pra baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio."

É claro que quando estamos abertos ao mundo, ficamos susceptíveis a ver de tudo, mas sigo afastando os maus pensamentos e atraindo bons pensamentos, pessoas, coisas. Espero colher o que estou plantando nessa (planeta) Terra.
Passei muitos anos me sentindo muito só e isso não me incomodava muito. Hoje quando fico um dia sozinha já sinto agonia. Mas me encontro somente estudando e de férias, ou seja... Quando meus afazeres aumentarem acho que vou curtir mais os momentos a sós. Fora que gosto de refletir sozinha em certos momentos.
Tenho descoberto coisas que me fazem muito bem e atiça minha curiosidade. Quero aprender, descobrir coisas novas, me aprofundar em outras, me sinto muito a vontade e satisfeita com isso. Tô com sede de conhecimento, mas tudo calmamente, no meu ritmo suave e constante (Rsrs). Antes achava que era lerdeza, era o que todos diziam, hoje estou bem assim e curto tudo o que eu gosto, no meu momento.

" Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade."

Com esses novos estudos estou descobrindo um mundo novo, um velho mundo escondido através dos novos e velhos padrões, através do sistema, da cabeça dos homens (e mulheres também Rsrs). Vejo coisas novas, vejo melhor, me sinto melhor. Mas esse mundo e os valores que ele traz não pode ser impostos e cá pra nós é o mundo que EU acho real, isso não quer dizer que seja.

" Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade."

Vivi muitos anos falando muito pouco, ainda falo pouco e observo muito, mas hoje eu gosto mais de falar e continuo adorando ouvir. Mas com essa atitude as pessoas acabam querendo falar por mim, ou imaginam o que eu falaria e eu acabava... não tendo muita pratica no falar. Já quebrei muito a cara e ouvi muitos desaforos por uma simples carta onde eu colocava meus maiores sentimentos e no final uma carta que foi feita para ajudar, para o bem, acaba se tornando um desaforo para o destinatario. Juro, isso já aconteceu umas 3 vezes pelo menos. Inclusive atualmente.
Mas apesar de ter ficado um pouco triste com isso vou tentar pensar menos no que passou e viver coisas novas, viver o agora.
Um dia desses descobri que um passarinho verde voou pra longe e provavelmente pra perto de um outro passarinho. No momento recebi uma pontada no meu coração. Chorei um pouco, fiquei com um pouco de raiva, pensei bastante. E depois de uma boa noite de sono acordei desejando a esse passarinho um bom voo, boas companhias, bom futuro e se for da vontade dele construir um novo ninho que seja com um passarinho que lhe dê tanto amor quanto eu dei a ele. Que sejam muito felizes.
Quando acordei hoje...

" Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude."

Parte da tristeza que senti ontem e nos outros dias passados foi fruto dos meus pensamentos. Minha imaginação é foda. Isso mesmo... é complicada, criativa e durante muito tempo acostumei ela a pensar coisas ruins. (Depois eu ficava reclamando de todas as coisas ruins que me aconteciam. Rsrs). Mas a cada dia que passa me forço a pensar coisas boas. Chega de pensar, falar, atrair coisas ruins. Agora eu quero vida nova. Saúde física, mental e espiritual. Quero ser feliz e só eu posso fazer isso por mim.

"Quando eu me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!"

E a cada dia que passa vou tirando de minha vida o que não me faz bem e colocando nela o que me faz feliz.
Vou tentando acertar.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A partir de hoje...


"A partir de hoje uma nau de solidão
navegará aliviada dos apegos
impossíveis, e uma nova geração
desvendará a ilha daqueles que sonham
antes de dormir.
Notas serão como uma leve pluma,
lançadas ao vento com destino certo:
Afago no espírito, cócegas na alma,
mimo na paz, inibir agonias,
afrouxar todo o receio de ser
devaneador.
Na rua do acalanto, primeiro peito
franco à direita, casa de janelas
sempre abertas e dispostas ao novo,
jardim de lindas rosas de espinhos
prósperos, varanda ao infinito,
mansão cor de legítimo coração,
em frente ao público dessa nossa solidão.
Ali a pena dançará e nenhuma
câimbra na felicidade,
nem faíscas de isolamento
nos fará desistir de estarmos
"todos juntos".

Caio Sóh

É assim que quero terminar esse ano e viver todos os outros anos!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ser positivo


"No meu jardim eu vou plantar uma flor
No coração eu quero paz e amor"
Momento de renovação
De sentir o ar mais leve
De dançar mais leve
De sorrir com intensidade
De ser feliz de verdade
De acreditar nas possibilidades
Com muita positividade!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um passarinho, tem!


Se você quer grilo, tem
se quiser rio, tem
e se quiser também
até cabana tem
uma lareira, tem
um violão também
Um passarinho, tem
mas se você quiser
morar na praia, vem
um automóvel, tem
cabeleireiro, tem
e vira a gente bem
Copacabana, tem
biriba à noite, tem
e quando a lua vem
jantar no iate, bem
eu faço o que você quiser
se você for minha até morrer
mulher...
Bem, eu faço o que você quiser
se você for minha até morrer
mulher...
Os Grilos - Os Cariocas

Nossa... estou viciada nessa musica!
Com a voz de Marcela Mangabeira então... Recomenddoooo mesmooo!

sábado, 13 de novembro de 2010

Uma Estranha Realidade

"O que me impressionava em dom Juan era o fato de ele não fazer questão de ser fraco e indefeso, e só de estar ao seu lado eu sentia uma comparação desconfortável entre o seu comportamento e o meu. Talvez uma das declarações mais impressinantes que dom Juan me fez naquela ocasião tenha sido a respeito de nossa diferença inerente. Antes de uma de minhas visitas, estava me sentindo muito infeliz com o aspecto geral de minha vida e com vários conflitos pessoais sérios. Quando cheguei à sua casa, sentia-me irritado e nervoso.
Estávamos conversando a respeito de meu interesse pelo conhecimento; mas, como sempre, nos encontrávamos em lados diferentes. Referia-me ao conhecimento acadêmico que transcende a experiência, enquanto ele falava do conhecimento direto do mundo.

-Sabe alguma coisa do mundo que o rodeia? - perguntou.
-Sei muitas coisas diferentes-respondi.
-Quero dizer, sente o mundo em volta de você?
-Sinto tanto do mundo em volta de mim quanto posso.
-Isso não basta. Tem de sentir tudo, senão o mundo perde o sentido.

Rebati com o argumento clássico, dizendo que não era preciso provar a sopa pra saber a receita, nem levar um choque elétrico para saber a respeito da eletricidade.

-Você faz a coisa parecer estúpida - disse ele. - Na minha opinião, quer agarrar-se a seus argumentos, a despeito do fato de eles não lhe darem nada; quer continuar assim, mesmo à custa do seu bem-estar.
-Não sei do que você está falando.
-Estou falando do fato de que você não é completo. Não tem paz.

Aquela declaração me aborreceu. Ofendi-me. Achei que ele certamente não estava em condições de julgar meus atos ou minha personalidade.

-Você está atormentado por problemas - disse ele. - Por quê?
-Sou um homem, dom Juan - respondi, irritado.

Fiz aquela declaração do mesmo jeito que meu pai costumava fazer. Sempre que ele dizia que era apenas um homem, implicitamente queria dizer que era fraco e indefeso; e a declaração dele, como a minha, era cheia de um sentido final de desespero.

-Pensa demais em si mesmo - disse ele, sorrindo. - E isso lhe dá um cansaço estranho, que o leva a fechar o mundo em sua volta e se agarrar a seus argumentos. Por isso, só tem problemas."

Carlos Castaneda - Uma Estranha Realidade