segunda-feira, 22 de agosto de 2011


O turismo do depois

Enterros celestiais, preços terrenos. Por doze mil e quinhentos dólares, você pode ter seu túmulo no Vale do Silêncio: " Descanse em paz. Na lua", oferece a empresa norte-americana Celestis Inc., que já tem três satélites funerários em órbita. Os foguetes levarão as cinzas dos clientes, partindo da base de Cabo Canaveral. Por um preço adicional de cinco mil e seiscentos dólares, a empresa Earthview oferece um vídeo do lançamento e garante o envio de um epitáfio digital a uma estrela que será batizada com o nome do finado.
Estes foram os dois primeiros epitáfios enviados ao céu:
Que vista magnífica.
Meu espírito está livre para elevar-se.


Eduardo Galeano, O TEATRO DO BEM E DO MAL, editora L&PM, pocket.




É cada uma viu?!


Agosto


Bom... Sei que fiz uma promessa a mim mesma de falar e divulgar mais as coisas e os atos bons do que os ruins. Mas devo confessar que quando as coisas estão boas eu as vivo e esqueço de escrever e quando as coisas estão ruins eu me recolho e desabafo na escrita. Tá que as vezes as coisas estão tão ruins que não dá vontade de fazer nada.
Hoje quero falar do AGOSTO, é... ele mesmo, o antes desconhecido por mim, Agosto do desgosto. Já tinha ouvido falar desse apelido mas... não lembrava pois não via muito o porque.
Esse ano porém, tive a prova dos 9. Nossa... quanta coisa ruim em tão pouco tempo. Quantas notícias de morte, perdas, separações, entre outras. Além de ter sido vítima desse mês. Alguns anos atrás, quando percebi que o tempo estava correndo cada vez mais rápido, me prometi não pedir mais que as horas, os dias, os meses passassem rápido. Para que o tempo n passasse mais depressa ainda. Mas juro que quero que esse mês passe logo. Sei que isso não vai me fazer recuperar o que eu perdi, até porque no estado em que me encontro nem sei mais o que é bom e o que é ruim pra mim. Mas espero que as coisas ruins diminuam, que a dor passe, a angustia acabe e a paz interior volte. Sei que não devemos colocar a culpa nos meses mas que esse mês trouxe muita energia ruim, isso trouxe.

Mas há de melhorar... Sempre há esperança!

Aproveitando esse mês ( ¬¬ ) vou postar um trecho de um dos livros que estou lendo "O teatro do bem e do mal" de Eduardo Galeano. Muito bom!
Aproveitem.


É muito absurdo para uma humanidade só!

domingo, 21 de agosto de 2011


Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona... Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.
Madre Tereza

É ocioso pensar sobre o justo e o injusto, o certo e o errado e os feitos passados. O útil é analisar, e se possível extrair uma lição para o futuro.
Gandhi

sábado, 20 de agosto de 2011

Na flor da vida

Não me procures ali
onde os vivos visitam
os chamados mortos.
Procura-me dentro das grandes águas.
Nas praças,
num fogo coração,
entre cavalos, cães,
nos arrozais, no arroio,
ou junto aos pássaros
ou espelhada num outro alguém,
subindo um duro caminho.
Pedra, semente, sal, passos da vida.
Procura-me ali.
Viva.

Hilda Hilst




O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
(...)
E todos somos pura flor de vento

Cecília Meireles

domingo, 14 de agosto de 2011


Era uma vez uma menina
que de tanto olhar pro mar seus olhos ficaram azuis.






Foto: Liu Engel



quinta-feira, 28 de julho de 2011

Canta passarinho

Os pássaros levam notas
a casa do trovador;
terão que matar o vento
que diz luta e amor.
Terão que calar o rio,
terão que secar o mar
que inspiram e dão ao homem
motivos para cantar.
Terão que parar a chuva,
terão que apagar o sol,
terão que matar o canto
para que esqueçam tua voz.

Otilio Galíndez e Roberto Todd

Canta passarinho, seu canto mais bonito, que amo tua voz, pois ela me enche de calma e amor!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Castaneda e a realidade


Novamente de férias voltei a ler "Uma estranha realidade" de Carlos Castaneda. Já faz um tempão que estou lendo mas... faz parte. Já estou no finalzinho desse livro que me conquistou bastante com sua magia e suas verdades percebidas nas entrelinhas, fora a percepção da estranha realidade em que vivemos. Nessa fase do livro passei por um dialogo que me chamou bastante atenção e que achei legal compartilhá-lo. É um pouco grande mas... interessante.

Boa leitura!


"-Há anos que venho realmente tentando viver de acordo com seus ensinamentos - disse eu. - Obviamente, não me saí bem. Como posso melhorar agora?


-Você pensa e fala demais. Deve parar de falar sozinho.


-O que quer dizer?


-Você fala sozinho demais. Não é só você que faz isso. Nós todos fazemos. Temos diálogos internos. Pense nisso. Sempre que está só, o que você faz?


-Converso comigo mesmo.


-Sobre o que conversa consigo?


-Não sei; sobre qualquer coisa, imagino.


-Vou lhe dizer a respeito de que conversamos conosco. Conversamos sobre nosso mundo. Na verdade, conservamos nosso mundo com nossos diálogos internos.


-Como o fazemos?


-Sempre que terminamos de falar conosco, o mundo está sempre como devia ser. Nós o renovamos, o animamos com vida, o mantemos com nosso diálogo interno. Não só isso, mas também escolhemos nossos caminhos ao conversarmos conosco. Assim, repetimos as mesmas escolhas várias vezes até o dia da nossa morte, pois ficamos repetindo o mesmo diálogo interno a vida toda, até o fim. Um guerreiro sabe disso e procura parar de falar. Esse é o último item que você tem de aprender se quiser viver como um guerreiro.


-Como posso deixar de conversar comigo mesmo?


-Antes de tudo, tem de usar os ouvidos para aliviar um pouco a carga dos seus olhos. Usamos os olhos para julgar o mundo desde o dia em que nascemos. Falamos com os outros e conosco sobretudo sobre o que vemos. Um guerreiro sabe disso e escuta o mundo; escuta os sons do mundo.

Guardei minhas notas. Dom Juan riu e disse que não queria que eu fizesse uma coisa forçada, que escutar os sons do mundo tinha de ser feito harmoniosamente e com muita paciência.
-Um guerreiro sabe que o mundo se modificará assim que ele parar de conversar consigo mesmo - disse ele -, e deve estar preparado para esse abalo monumental.

-O que quer dizer, Dom Juan?

-O mundo é assim e assim, e tal e tal, só porque nos dizemos que é dessa maneira. Se pararmos de nos dizer que o mundo é tal e tal, ele deixará de ser tal e tal. Neste momento, não creio que você esteja pronto para esse golpe monumental, e, portanto, deve começar lentamente a desfazer o mundo.

-Não compreendo mesmo!

-Seu problema é que confunde o mundo com o que as pessoas fazem. Ainda nisso, não é o único. Todos nós fazemos isso. As coisas que as pessoas fazem são os escudos contra as forças que nos cercam, também nos dão conforto e nos fazem sentir seguros; o que as pessoas fazem é muito importante em si, mas apenas como escudo. Nunca aprendemos que as coisas que fazemos como pessoas são apenas escudos e deixamos que elas dominem e transtornem nossas vidas. Na verdade, eu diria que, para a humanidade, aquilo que as pessoas fazem é maior e mais importante do que o próprio mundo.

-O que é que você chama de mundo?

-O mundo é tudo o que está encerrado aqui - disse ele, pisando com força no chão. - A vida, a morte, pessoas, aliados e tudo o mais que nos cerca. O mundo é incompreensível. Nunca o compreenderemos; nunca desvendaremos seus segredos. Assim, temos de tratá-lo como ele é, um simples mistério!

"Mas o homem comum não faz isso. O mundo nunca é mistério para ele e, quando ele chega à velhice, está convencido de que não tem mais nada por que viver. Um velho não esgotou o mundo. Só esgotou o que as pessoas fazem. Mas, em sua estúpida confusão, acredita que o mundo não tem mais mistérios para ele. Que preço triste para pagar por nossos escudos!

"Um guerreiro sabe dessa confusão e aprende a tratar tudo direito. As coisas que as pessoas fazem não podem, de jeito nenhum, ser mais importantes do que o mundo. E assim o guerreiro trata o mundo como um mistério infindável e o que as pessoas fazem como uma loucura sem fim.


Pouco tempo antes conversava sobre o que é real nesse mundo e o que não é. Só depois desse trecho compreendi, pelo menos acho que compreendi, o que realmente isso quer dizer. O que vivemos é realmente uma loucura, precisamos de muito menos do que realmente achamos e vivemos exatamente uma ilusão sem fim. E mais... não estamos preparados para viver a verdade.